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62. A segunda primeira semana de aula de minha vida

E chegou o dia: Isadora iniciou sua jornada! Tive todo mês de julho para preparar meu coração. Ele não ficou doído, apenas apreensivo. Normal, certo? A mesma idade com que foi a Isabela, a mesma vontade de viver também. Segurou a própria bolsa, como quem diz: "daqui para frente é comigo, mamãe"! Soltou a minha mão, agarrou a da irmã e seguiu.  Parei! De repente me senti pequena diante de tanta bravura! Ouvi o primeiro choro, aquele do dia em que nosso cordão foi cortado e, por mais uma vez, senti a separação.  Ela foi andando, de mão dada com a "Tata", segura de si e feliz! Entrou no parque e ficou olhando, encantada, as demais crianças.  Um charminho aqui, uns beijinhos nos amigos, acolá e, pouco a pouco, foi se mostrando capaz, ainda que procurando meu olhar.  Tão pequena e já sabe: ele sempre estará lá. De longe, quieto, pronto para aplaudir ou acolher.  Chorou para dormir. Eu também ainda choro as vezes, querendo voltar para o lugar mais seguro do mundo. Todos choramo…
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61. "Mamãe, diga que sou a irmã dela!"

"Mamãe, diga que sou a irmã dela!"  Este é o pedido insistente cada vez que alguém para e comenta sobre o quanto a Dora é charmosa. Dói sempre, sabiam? Em mim e nela, minha Bela 😍. Incrível a capacidade que as pessoas, mesmo que sem desejar, tem de transformar minha garotinha na menina invisível.  Elogios só surgem caso a pessoa também tenha o segundo filho. Provavelmente por já ter visto o mais velho ser ignorado trilhões de vezes e ter sentido o peito apertado como o meu. Procuro adiantar-me, quando dá tempo, e ir logo falando: "Uma fofura, né, como a irmãzinha mais velha!"  Quando isso acontece, ela ergue o queixinho, olha nos meus olhos e sorri: há um "obrigada" silencioso. Mas, quase sempre, ela se adianta, antes mesmo de dizer qualquer coisa, de queixo erguido, novamente, olhos de súplica, voz baixinha: "Mãe, diz que somos irmãs!" É doído de ver, mas, na mesma proporção, reconfortante: ela aprendeu a se defender da invisibilidade. Deu seu grito…

60. Um ano sendo mãe e de duas! 🐰🐰

Sessenta capítulos! Ual! Que lindo! E bem após um ano sendo mãe de duas! Cósmico? Alguém sabe a simbologia desse número? Deixe pra lá...  Até porque, não quero falar só de festas. Tenho balanços a fazer! Prós e contras! Como sempre, ou não seria  eu, a mãe que erra, diferente das dos manuais, nem melhor nem pior, apenas sabendo como é maravilhoso ser mãe, mas sem me proibir de falar do quanto é trabalhoso também! Confesso que cuidar de duas não é imensamente impossível como imaginei. Acho que o que levei um tempo para perceber é que essas pequenas sapecas que Deus me deu são pessoinhas bem diferente uma da outra. O que não funcionou com a primeira pode, sim, dar certo com a segunda e vice-versa. Descoberto isso, após alguns meses, seguimos melhor. Bebela, quando quer algo, esperneia, grita, deixa-me maluca (podem aumentar isso para 20 vezes). A outra, sorri, joga beijo e dificulta muito o "não". Mas agora já entendi, Isadorinha, não cairei tantas vezes como antes em sua doce lá…

59. Sentimos mais sendo mãe

Sempre fui 100% emoção. Comigo não tem muito essa história de pensar antes, não. Todas as minhas ideias e ações emanam do coração. Isso não é bom. Não em um mundo capitalista... Mas essa sou eu... E tuuudo bem... Ok! Não está tudo bem! Nunca esteve. Quem sente, sente eternamente. Analisa, aprofunda-se, busca a fundo e... quase sempre, se machuca. A meu favor tenho a dizer que experimento a vida, ao invés de só vivê-la. Nenhum cruzar de braços, sorriso de lado, olhar de canto passam batidos. Nunca. Sem contar as tretas das energias. Eita que sinto também.  Aos meus 38 anos diria que teria sido mais fácil não ser assim. Sei lá, posso estar errada, mas ser racional, a meu ver, parece ser menos doido. Enfim... Não terei respostas, eu sei... Fico com a sensação e ponto! Mas porque mesmo disse isso tudo? Ah! Peguei o pensamento inicial: para contar a vocês que sinto o triplo sendo mãe! Loucura, certo? 🙃 Ser mãe intensificou alguns de meus super poderes! O de sentir demais foi o primeiro!  Basto…

58. Quando você me machuca

Você me machuca quando: Ignora-me, Não esculta que falo, Não se importa com o que sinto.
Você me entristece quando: Não me faz sentir parte, Não se esforça em dividir, Deixa claro que tanto faz
Você me mata aos pouquinhos quando: Valoriza o que não tem valor, Não faz questão de me conquistar, Ridiculariza minha parte mais bonita.
Você se apaga aos poucos, e a mim também, quando me deixa falando sozinha, sabendo que será incapaz de recomeçar a conversa em outro dia.
Você me anula; eu, tiro-me o direito.
Você e eu.  Você. Eu.

57. Há noites tristes

Estava tudo bem: voltávamos felizes, conversando sobre o dia. Fiz uma pergunta banal: "E os trevos, filha, entregou para a professora?" Ela explicou que deixou o potinho na escola. Lamentei pelo potinho: "Mas deixou o potinho da mamãe?" Ela explicou que devolveriam amanhã. E tudo bem, disse a ela. Não... Infelizmente, não... Ela começou a chorar muito, dizendo que queria o potinho. Expliquei que poderíamos comprar outro, mas que achava que devolveriam para ela. Não adiantou. Descontrole imenso, gritos, empurrões em minhas costas enquanto dirigia. Minha segunda tentiva foi ignorar o escândalo, ouvindo música altérrima. Piorou, no caso, os chutes. Quinze minutos de tortura para mim e para ela. Percebo o imenso desgaste emocional dela e meu. Mas nada que faço ou digo a ajuda a sair disso. Sinto-me incapaz de acalmá-la e isso acaba comigo. Sempre foi assim 😔. Hoje já entendo que é dela, mas não aceito. Ainda continuo buscanco caminhos para ajudá-la. E resolvem, sempre …

56. As vezes o coração aperta

Ando de coração chorão nesses últimos dias. A fúria, a falta de paciência e a vontade de tempo sozinha, pouco a pouco, vão perdendo a força, dando espaço a uma versão de mim mesma mais polida. Todo mês é igual... Queria muito não ter TPM! Como sou melhor sem ela... Mas, voltando... Ultimamente me emociono facilmente. Outro dia fui ao shopping com minha Bebela. E olhando as promoções (porque professora só consegue comprar se estiver barato, já que o salário é uma droga, totalmente necessária, mas uma droga), minha menina disse: "Mamãe, venha ver, compre para mim, achei um igual ao da Dodó!" E foi me puxando pelo braço na maior felicidade! Quando vi o que era, senti aquele aperto no peito. Em sua inocência de 5 aninhos, ela viu um bory da Minnie, para adolescente, super cavado no bumbum e queria levar para ficar como a irmãzinha. Expliquei para ela que aquela roupa era de adulto, e que ela era minha menina, não precisava usar aquilo. Mas ver a decepção em seus olhinhos doeu. Ela …